segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Momento

Eu não
acredito
neste
eu não acredito
neste momento
eu não acredito neste momento
neste momento

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Tapete Vermelho (ao/s reitor/es)

Bem vindo ao campus seguro
não o ilustre desastre
de desmoronar futuros
Tapete à quem faz parte

Construção é bem vinda no prédio
portas abertas à moradia
à qualidade no ensino, não ao tédio
à quem se forma todo dia

Não são bem vindas regalias
abelhas em flores corrompidas
mel no dinheiro sulgado
nem repressão às escondidas

Salve salve a chegada da comida!
É devorada a insatisfação
assim que engolirem a reinvidicação
sem degustarem nosso tempo

Não mais jogados ao vento
se não entupiremos a faculdade
bem vindo é o nosso sustento
e gente mobilizada de vontade

Vermelho para o fim do fracasso
Vermelho para não derramar sangue
Vermelho para educar o abraço
Vermelho para o fim do antes

Mutantitude

O avesso da mudança
não é a estabilidade
mas a espera
de esperar oportunidade

Oposto é quem repete
reproduz terceirizado
acusando o já acusado
ilegitima o discriminado

É o estudo do estudo
a crítica da crítica
a negação da negação
a paralização do parado

A repetição indiferente
atira pedras descontente
discursa que respeita
mas na hora de sentir
é o primeiro ser ausente

E o primeiro a se ferir
pois não há quem o contente
assim não vai transgredir
enquanto prostitui a mente

Posição é ação consciente
de como homem refletir
de como não aceitar tudo
nem se doer feito doente

Via busca de condução

Não espera, escreve
que o ônibus anda
e a chance você perde
de pará-lo com o dedo
as mãos dão sinal
pra entrar na viagem
e partir do medo

Gemido

E o mundo precisava de fadas
estava com muita dor em mim mesmo
e com pouco de mim na dor
eis a dor do mim em segredo

Ego de brinquedo
faz eu me doer
de tanto mim dolorido
dorme em mim de arder

Criações que me dão medo
fadadas à miséria de mimos
emocionantes extermínios
das fantasias incríveis

Insubstituíveis emanações
das múltiplas macabras dores
doa a mim doer, enfim!
Sem demais amostra de amores

Moa-me então, malvada ação
manda no mim que me mede
mendigando-me rumores
mesmo que doloridos
a esse meu eu que não sede

Uma mulher













Mulher me nina
mulher que liga
mulher tão fina
mulher amiga

Mulher mulher
sabe onde pisa
sabe o que quer
e quem enfeitiça

Mulher, me avisa
se alguém te mima
que eu dou mais brisa
que a Monalisa

Júpiter

Extração de risos soltos
saltados do nada na bochecha
alimento afro envolto
de um pouco mais de contento

Astral enluarado e louco
alienado e destemido
a inocência acaba
quando se inicia no outro

Quando se contempla
ao completar uma volta
em si mesma
feito a Terra, feito a bosta

Na qual se sustenta
envolvendo o Sol, estrela
365 dias de profundezas
para abraçar o coletivo
e revertê-la

Êxodo

Fiapo de manga preso no dente
Farpa de madeira na mão
Galho seco em chá quente
Grito de gente com tradução
Moinhos de boatos
sem explicação

Relógios correndo em quatro rodas

Caminhões de medos
com pitadas suspirantes
tristezas virando segredos
músicas destoantes
detalhes sensíveis
em remessas de brinquedo

Relógios morrendo atrás das portas

Gotas contadas escorrendo
esgoto entupido de conta-gotas
Gato nos fios que apreendo
ligado por inconsciências remotas
curto circuito de paciências idotas

Relógios abertos feito boca

Tempo de comunicação oca
louca e com uma única ação:
a rouquidão convulsiva
da inércia na paralização
que pode ser repetitiva
mas não circula como relógio

Participação

É só uma parte ser todo
Estar de todo
é maior que qualquer ser
que todo ser já faz parte
mas nem toda parte
está toda num só ser

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

À música

A melodia escuta oca
para aprender a falar
o que ela cala
por só saber escutar

E no máximo canta
preenchendo um canto a mais
com volume absoluto, luta
sem violência, dança com a paz

Mas melodia, me escuta:
grite pela palavra cantada
sejas delicadamente bruta
assuste nossa língua dura

Expanda-se pelo ouvido
e invada de vez este espaço
e o vazio de vida é dissolvido
nessa música cheia de abraço

Que o barulho é feito de tempo
em pedaços esparsos ao vento
e jogado voando em teus braços
e enlaçado por ti em silêncio

Mel dos dias, tua música
faz a vida sobreviver
toca o instrumento amor
escuta menos e vem pra dizer

Caminho de Farfalla

Único lugar único
é o estar nele
voando para outro
pelo balão do onírico

Voltar até o pouso
no sobre real da natureza
tempo-espiritual
que transpira belezas

E absorve o ser animal
com delicadeza humorada
de quem vai assim pelo nada
passado o intuitivo homem

Estipolaricação

Nada deve ser perfeito
desfeito os desfeitos
e os direitos de direito
tudo tem que ter um jeito

Uma visão, uma luz,
um padrão, uma cruz
é ser único no um
é um único no ser

Cada coisa em seu lugar
mas a todo tempo o tempo todo
faz das coisas o sentido
de sentir o fazer das coisas

Utilidade é já estar parido
e desprovido de lógicas
pois a vida é sem sentido
é só tido os códigos

E eles permanecem escondidos
a fim de dar razão à razão
nossa amada inimiga
contradita nessa infinita paixão

Moral dos que desmoronam
à procura de uma morada
que abriguem esse mundo
mundo mundano do nada

Fragilarquia

Ignorância é tê-la
e dar-lhe importância
é querer refazê-la
por meio da arrogância

Arrogância é negar
e afirmar como não
para se afirmar
dar desculpas à razão

Razão não é nada
é miséria explorada
coisa apática e bufona
que o tempo faz de piada

Breu

A lua minguou
seu olhar dormiu, fechou
breu do sumiço vão
pela obscura escuridão

Que me leva à claridades
aos anjos protetores
das saudades
entregas aos amores de poetas

Deixo meus olhos quietarem
vazio negro a preenchê-los
em busca dos segredos
obscuros de estrelas sombrias

Olho do céu

A lua teve de nascer laranja
A lua teve de nascer
laranja a lua
a lua lá esteve

Era um piscar de você
Era um minguar
de você era um

Era um eu
um meio olhar de tigre
um meio de me olhar
era a lua a me ver
céu você negro a piscar

Preposição

Venha logo aqui pra dentro agora
venha, venha correndo, depois encoste
encoste, cole, aperte, envolva, suave
leve, cheire, beije, beije, beije
e entre aqui pra fora quando sair

Um quê

O QUE EU QUERO COM VOCÊ
É COM VOCÊ
VOCÊ

Astro infernal

Enluarado de luzes florecidas
ele soou melodicamente batucado
em minha vida, alegre
implorando-me ilusões já entregues

Então ginguei-lhe lamentos
lacrimejando liberdades
enlouquecidas
d'outro relacionamento

E o atento burlou meus dias

Noites aromáticas com lindezas
era tanta beleza no prazer
difícil lembrar de me esquecer
que ali era o inferno

A me envolver de lamas
gostosas e escorregadias
lambuzadas de fogo
de água e terra em jogo

Do mundo todo
no triz da lenha
a queimar logo
fósforos de medos calmos
legando o consumo de algo

Enfim cai!
E o vento nos secou em pedra
nada firme, barro solto
feito assinatura de contratos
sem a lida dos outros

Feito datar estrelas em contos
torcer um pé e não se aguentar
no outro
de tanta dúvida
arrastar-se pelo lodo

Não encontrar submundos possíveis
a não ser cair nesse barro natural
esfarelando nosso laço conjugal
depois de sair, enfim
do meu maior inferno astral

Experimento frágil

Deixa eu cair de novo
me deixa por aqui
que eu vou bem
eu vou pro novo

De novo porém
me deixa no não
que eu me movo
e saio pela culatra

Mas não se deixa mais nada!
Além de alguéns

infantis histórias
contadas
sem querer
e pra ninguém

Aceitação

Não fique com Deus
fique com a Deusa
deusa dos minúsculos
ateus em crepúsculos

O olhar de mulher
não é como mulher
mulher que olha
desejos de glória

O sim é mantido
mas sim é proibido
porque é um escudo
que há de ser partido