Estou velha, creio
minto cada vez mais
porque esqueço
o que faço dos meus dias
atráz
A natureza manda
eu só obedeço
quem dorme em meu leito
sonho pedindo um cais
e já dou o endereço
Dois segundos de idas
e eu apodreço
não lembro se intervenho
mas me acelero aos vitais
e mais eu me esqueço
ENTRESCREVA, SAIATIRIZE, NAUFRAVIAJE, VIVOE, COMENTECAPTE, MINTALIZE, POETIZE, SARAUSE, RECADOE, ANUNCINTETIZE, VOMIMITEM, CUSPALHEM, ENFIM: QUALQUEIRAM!...
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Em barcação
O amor aqui anda
e tem cabelos ondulados
ele me comanda
e faz sentido, e é bem tratado!
É a música que se balança
envolve a dor e a aplaude
sua força é gesto de carinho
gesto de olhar e de amizade
Como é lindo esse ninho
criação de braços grudados
nasceu Dali um mundo luz
de romances embarcados
Barca de Paketá
traga-me a quietude
nem o Luiz Melodia,
nem os Novos Baianos
pois é outro só que me ilude
pois é só outro que me ilude
Ou que do nada eu me mude
e o tempo me distraia
a brincar de pular na fé
fé na vida, ré na vaia
Mas seja o que ele quiser
entrego àqueles olhos
a boca e tudo o que vier
mas que venha até a louca
Mar de meditações roucas
nada me ditava calma
tudo gritava pra alma
os céus de mares entre nós
Vai de vez, embarca
viajante lúdico, levado
deixe-se levar por algo
não me deixe nesse fado
Porque teve de ser este embargo
piegas fui tão e tanto em ir
que você me veio, todo largo
mas longe de querer me partir
e tem cabelos ondulados
ele me comanda
e faz sentido, e é bem tratado!
É a música que se balança
envolve a dor e a aplaude
sua força é gesto de carinho
gesto de olhar e de amizade
Como é lindo esse ninho
criação de braços grudados
nasceu Dali um mundo luz
de romances embarcados
Barca de Paketá
traga-me a quietude
nem o Luiz Melodia,
nem os Novos Baianos
pois é outro só que me ilude
pois é só outro que me ilude
Ou que do nada eu me mude
e o tempo me distraia
a brincar de pular na fé
fé na vida, ré na vaia
Mas seja o que ele quiser
entrego àqueles olhos
a boca e tudo o que vier
mas que venha até a louca
Mar de meditações roucas
nada me ditava calma
tudo gritava pra alma
os céus de mares entre nós
Vai de vez, embarca
viajante lúdico, levado
deixe-se levar por algo
não me deixe nesse fado
Porque teve de ser este embargo
piegas fui tão e tanto em ir
que você me veio, todo largo
mas longe de querer me partir
Não Riam
Abraço de mármore
filho de celebridade
cérebro das árvores
auréola de irmandade
Síndrome turística
de viajar pelo espírito
de amar pela mística
fé doada ao lúdico
Fé na nossa fé depositada
ilusão cristã que é paga
com os braços do nada
vendido ao Brasil feito praga
E a compra é ainda mais
mais cintilante e alienada
deslumbra os feios curvos
com a corcovisão almada
Rio revire o janeiro, então
amor que fique pra fevereiro
e o povo cai do avião
mas não sai dos estaleiros
Chamados de televisão
lindezas sempre em primeiro
chuva e novenas de acusação
jorra a mídia até os paradeiros
Não quero, não à benção disso
abençoado é só o meu vício
de desacreditar primeiro
depois aceitar seus Vinicius
Sem cristianismo no que sinto
mas foda-se o corcovado
quero o morro e seu labirinto
quero abraço de gente
Ir ao socorro, não ao mito
ao faminto de voz
e estufado de ditos
mas munido e feroz
Quero você como Cristo
salvador dessa pátria
profeta só do inevitável
redentor do real durável
Recrie o amor e o astral
infernal é a carga de novelas
e celestino navio comercial
que afunda o Rio na favela
E enfurna de vez a miséria
onde há espaço pra enfiar
ali estão suas quimeras
e a força para as negar
De mora
Antes não ir
onde se tem vontade
a ir onde
não se tem
Antes não apostar
do que adiar o dito
o atraso mantém prazos
a espera não pára
Longos são apenas anos
a contagem é curta
é morna e tem planos
é veneno aos birutas
Ai, mas se o tempo labuta
na luta de não se contar
o desespero me assusta
e anseia conseguir esperar
onde se tem vontade
a ir onde
não se tem
Antes não apostar
do que adiar o dito
o atraso mantém prazos
a espera não pára
Longos são apenas anos
a contagem é curta
é morna e tem planos
é veneno aos birutas
Ai, mas se o tempo labuta
na luta de não se contar
o desespero me assusta
e anseia conseguir esperar
Eternidade momentânea
Vem nadar na minha praia?
ser a brisa do meu mar?
Põe seu sol na minha saia
colore esse amarelar
A minha blusa é teu lençol
minhas ondas travesseiro
olhares nus soltos no ar
pescados na areia primeiro
O mar chamou o sol pra si
e o sol mergulhou por inteiro
Toda natureza deitava
naquele quarto trancado
tesouro de homem guardava
arco-íris ali hospedado
ser a brisa do meu mar?
Põe seu sol na minha saia
colore esse amarelar
A minha blusa é teu lençol
minhas ondas travesseiro
olhares nus soltos no ar
pescados na areia primeiro
O mar chamou o sol pra si
e o sol mergulhou por inteiro
Toda natureza deitava
naquele quarto trancado
tesouro de homem guardava
arco-íris ali hospedado
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Tapete Vermelho (ao/s reitor/es)
Bem vindo ao campus seguro
não o ilustre desastre
de desmoronar futuros
Tapete à quem faz parte
Construção é bem vinda no prédio
portas abertas à moradia
à qualidade no ensino, não ao tédio
à quem se forma todo dia
Não são bem vindas regalias
abelhas em flores corrompidas
mel no dinheiro sulgado
nem repressão às escondidas
Salve salve a chegada da comida!
É devorada a insatisfação
assim que engolirem a reinvidicação
sem degustarem nosso tempo
Não mais jogados ao vento
se não entupiremos a faculdade
bem vindo é o nosso sustento
e gente mobilizada de vontade
Vermelho para o fim do fracasso
Vermelho para não derramar sangue
Vermelho para educar o abraço
Vermelho para o fim do antes
não o ilustre desastre
de desmoronar futuros
Tapete à quem faz parte
Construção é bem vinda no prédio
portas abertas à moradia
à qualidade no ensino, não ao tédio
à quem se forma todo dia
Não são bem vindas regalias
abelhas em flores corrompidas
mel no dinheiro sulgado
nem repressão às escondidas
Salve salve a chegada da comida!
É devorada a insatisfação
assim que engolirem a reinvidicação
sem degustarem nosso tempo
Não mais jogados ao vento
se não entupiremos a faculdade
bem vindo é o nosso sustento
e gente mobilizada de vontade
Vermelho para o fim do fracasso
Vermelho para não derramar sangue
Vermelho para educar o abraço
Vermelho para o fim do antes
Mutantitude
O avesso da mudança
não é a estabilidade
mas a espera
de esperar oportunidade
Oposto é quem repete
reproduz terceirizado
acusando o já acusado
ilegitima o discriminado
É o estudo do estudo
a crítica da crítica
a negação da negação
a paralização do parado
A repetição indiferente
atira pedras descontente
discursa que respeita
mas na hora de sentir
é o primeiro ser ausente
E o primeiro a se ferir
pois não há quem o contente
assim não vai transgredir
enquanto prostitui a mente
Posição é ação consciente
de como homem refletir
de como não aceitar tudo
nem se doer feito doente
não é a estabilidade
mas a espera
de esperar oportunidade
Oposto é quem repete
reproduz terceirizado
acusando o já acusado
ilegitima o discriminado
É o estudo do estudo
a crítica da crítica
a negação da negação
a paralização do parado
A repetição indiferente
atira pedras descontente
discursa que respeita
mas na hora de sentir
é o primeiro ser ausente
E o primeiro a se ferir
pois não há quem o contente
assim não vai transgredir
enquanto prostitui a mente
Posição é ação consciente
de como homem refletir
de como não aceitar tudo
nem se doer feito doente
Via busca de condução
Não espera, escreve
que o ônibus anda
e a chance você perde
de pará-lo com o dedo
as mãos dão sinal
pra entrar na viagem
e partir do medo
que o ônibus anda
e a chance você perde
de pará-lo com o dedo
as mãos dão sinal
pra entrar na viagem
e partir do medo
Gemido
E o mundo precisava de fadas
estava com muita dor em mim mesmo
e com pouco de mim na dor
eis a dor do mim em segredo
Ego de brinquedo
faz eu me doer
de tanto mim dolorido
dorme em mim de arder
Criações que me dão medo
fadadas à miséria de mimos
emocionantes extermínios
das fantasias incríveis
Insubstituíveis emanações
das múltiplas macabras dores
doa a mim doer, enfim!
Sem demais amostra de amores
Moa-me então, malvada ação
manda no mim que me mede
mendigando-me rumores
mesmo que doloridos
a esse meu eu que não sede
estava com muita dor em mim mesmo
e com pouco de mim na dor
eis a dor do mim em segredo
Ego de brinquedo
faz eu me doer
de tanto mim dolorido
dorme em mim de arder
Criações que me dão medo
fadadas à miséria de mimos
emocionantes extermínios
das fantasias incríveis
Insubstituíveis emanações
das múltiplas macabras dores
doa a mim doer, enfim!
Sem demais amostra de amores
Moa-me então, malvada ação
manda no mim que me mede
mendigando-me rumores
mesmo que doloridos
a esse meu eu que não sede
Uma mulher
Mulher me nina
mulher que liga
mulher tão fina
mulher amiga
Mulher mulher
sabe onde pisa
sabe o que quer
e quem enfeitiça
Mulher, me avisa
se alguém te mima
que eu dou mais brisa
que a Monalisa
Júpiter
Extração de risos soltos
saltados do nada na bochecha
alimento afro envolto
de um pouco mais de contento
Astral enluarado e louco
alienado e destemido
a inocência acaba
quando se inicia no outro
Quando se contempla
ao completar uma volta
em si mesma
feito a Terra, feito a bosta
Na qual se sustenta
envolvendo o Sol, estrela
365 dias de profundezas
para abraçar o coletivo
e revertê-la
saltados do nada na bochecha
alimento afro envolto
de um pouco mais de contento
Astral enluarado e louco
alienado e destemido
a inocência acaba
quando se inicia no outro
Quando se contempla
ao completar uma volta
em si mesma
feito a Terra, feito a bosta
Na qual se sustenta
envolvendo o Sol, estrela
365 dias de profundezas
para abraçar o coletivo
e revertê-la
Êxodo
Fiapo de manga preso no dente
Farpa de madeira na mão
Galho seco em chá quente
Grito de gente com tradução
Moinhos de boatos
sem explicação
Relógios correndo em quatro rodas
Caminhões de medos
com pitadas suspirantes
tristezas virando segredos
músicas destoantes
detalhes sensíveis
em remessas de brinquedo
Relógios morrendo atrás das portas
Gotas contadas escorrendo
esgoto entupido de conta-gotas
Gato nos fios que apreendo
ligado por inconsciências remotas
curto circuito de paciências idotas
Relógios abertos feito boca
Tempo de comunicação oca
louca e com uma única ação:
a rouquidão convulsiva
da inércia na paralização
que pode ser repetitiva
mas não circula como relógio
Farpa de madeira na mão
Galho seco em chá quente
Grito de gente com tradução
Moinhos de boatos
sem explicação
Relógios correndo em quatro rodas
Caminhões de medos
com pitadas suspirantes
tristezas virando segredos
músicas destoantes
detalhes sensíveis
em remessas de brinquedo
Relógios morrendo atrás das portas
Gotas contadas escorrendo
esgoto entupido de conta-gotas
Gato nos fios que apreendo
ligado por inconsciências remotas
curto circuito de paciências idotas
Relógios abertos feito boca
Tempo de comunicação oca
louca e com uma única ação:
a rouquidão convulsiva
da inércia na paralização
que pode ser repetitiva
mas não circula como relógio
Participação
É só uma parte ser todo
Estar de todo
é maior que qualquer ser
que todo ser já faz parte
mas nem toda parte
está toda num só ser
Estar de todo
é maior que qualquer ser
que todo ser já faz parte
mas nem toda parte
está toda num só ser
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
À música
A melodia escuta oca
para aprender a falar
o que ela cala
por só saber escutar
E no máximo canta
preenchendo um canto a mais
com volume absoluto, luta
sem violência, dança com a paz
Mas melodia, me escuta:
grite pela palavra cantada
sejas delicadamente bruta
assuste nossa língua dura
Expanda-se pelo ouvido
e invada de vez este espaço
e o vazio de vida é dissolvido
nessa música cheia de abraço
Que o barulho é feito de tempo
em pedaços esparsos ao vento
e jogado voando em teus braços
e enlaçado por ti em silêncio
Mel dos dias, tua música
faz a vida sobreviver
toca o instrumento amor
escuta menos e vem pra dizer
para aprender a falar
o que ela cala
por só saber escutar
E no máximo canta
preenchendo um canto a mais
com volume absoluto, luta
sem violência, dança com a paz
Mas melodia, me escuta:
grite pela palavra cantada
sejas delicadamente bruta
assuste nossa língua dura
Expanda-se pelo ouvido
e invada de vez este espaço
e o vazio de vida é dissolvido
nessa música cheia de abraço
Que o barulho é feito de tempo
em pedaços esparsos ao vento
e jogado voando em teus braços
e enlaçado por ti em silêncio
Mel dos dias, tua música
faz a vida sobreviver
toca o instrumento amor
escuta menos e vem pra dizer
Caminho de Farfalla
Único lugar único
é o estar nele
voando para outro
pelo balão do onírico
Voltar até o pouso
no sobre real da natureza
tempo-espiritual
que transpira belezas
E absorve o ser animal
com delicadeza humorada
de quem vai assim pelo nada
passado o intuitivo homem
é o estar nele
voando para outro
pelo balão do onírico
Voltar até o pouso
no sobre real da natureza
tempo-espiritual
que transpira belezas
E absorve o ser animal
com delicadeza humorada
de quem vai assim pelo nada
passado o intuitivo homem
Estipolaricação
Nada deve ser perfeito
desfeito os desfeitos
e os direitos de direito
tudo tem que ter um jeito
Uma visão, uma luz,
um padrão, uma cruz
é ser único no um
é um único no ser
Cada coisa em seu lugar
mas a todo tempo o tempo todo
faz das coisas o sentido
de sentir o fazer das coisas
Utilidade é já estar parido
e desprovido de lógicas
pois a vida é sem sentido
é só tido os códigos
E eles permanecem escondidos
a fim de dar razão à razão
nossa amada inimiga
contradita nessa infinita paixão
Moral dos que desmoronam
à procura de uma morada
que abriguem esse mundo
mundo mundano do nada
desfeito os desfeitos
e os direitos de direito
tudo tem que ter um jeito
Uma visão, uma luz,
um padrão, uma cruz
é ser único no um
é um único no ser
Cada coisa em seu lugar
mas a todo tempo o tempo todo
faz das coisas o sentido
de sentir o fazer das coisas
Utilidade é já estar parido
e desprovido de lógicas
pois a vida é sem sentido
é só tido os códigos
E eles permanecem escondidos
a fim de dar razão à razão
nossa amada inimiga
contradita nessa infinita paixão
Moral dos que desmoronam
à procura de uma morada
que abriguem esse mundo
mundo mundano do nada
Fragilarquia
Ignorância é tê-la
e dar-lhe importância
é querer refazê-la
por meio da arrogância
Arrogância é negar
e afirmar como não
para se afirmar
dar desculpas à razão
Razão não é nada
é miséria explorada
coisa apática e bufona
que o tempo faz de piada
e dar-lhe importância
é querer refazê-la
por meio da arrogância
Arrogância é negar
e afirmar como não
para se afirmar
dar desculpas à razão
Razão não é nada
é miséria explorada
coisa apática e bufona
que o tempo faz de piada
Breu
A lua minguou
seu olhar dormiu, fechou
breu do sumiço vão
pela obscura escuridão
Que me leva à claridades
aos anjos protetores
das saudades
entregas aos amores de poetas
Deixo meus olhos quietarem
vazio negro a preenchê-los
em busca dos segredos
obscuros de estrelas sombrias
seu olhar dormiu, fechou
breu do sumiço vão
pela obscura escuridão
Que me leva à claridades
aos anjos protetores
das saudades
entregas aos amores de poetas
Deixo meus olhos quietarem
vazio negro a preenchê-los
em busca dos segredos
obscuros de estrelas sombrias
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