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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Olho do céu

A lua teve de nascer laranja
A lua teve de nascer
laranja a lua
a lua lá esteve

Era um piscar de você
Era um minguar
de você era um

Era um eu
um meio olhar de tigre
um meio de me olhar
era a lua a me ver
céu você negro a piscar

Preposição

Venha logo aqui pra dentro agora
venha, venha correndo, depois encoste
encoste, cole, aperte, envolva, suave
leve, cheire, beije, beije, beije
e entre aqui pra fora quando sair

Um quê

O QUE EU QUERO COM VOCÊ
É COM VOCÊ
VOCÊ

Astro infernal

Enluarado de luzes florecidas
ele soou melodicamente batucado
em minha vida, alegre
implorando-me ilusões já entregues

Então ginguei-lhe lamentos
lacrimejando liberdades
enlouquecidas
d'outro relacionamento

E o atento burlou meus dias

Noites aromáticas com lindezas
era tanta beleza no prazer
difícil lembrar de me esquecer
que ali era o inferno

A me envolver de lamas
gostosas e escorregadias
lambuzadas de fogo
de água e terra em jogo

Do mundo todo
no triz da lenha
a queimar logo
fósforos de medos calmos
legando o consumo de algo

Enfim cai!
E o vento nos secou em pedra
nada firme, barro solto
feito assinatura de contratos
sem a lida dos outros

Feito datar estrelas em contos
torcer um pé e não se aguentar
no outro
de tanta dúvida
arrastar-se pelo lodo

Não encontrar submundos possíveis
a não ser cair nesse barro natural
esfarelando nosso laço conjugal
depois de sair, enfim
do meu maior inferno astral

Experimento frágil

Deixa eu cair de novo
me deixa por aqui
que eu vou bem
eu vou pro novo

De novo porém
me deixa no não
que eu me movo
e saio pela culatra

Mas não se deixa mais nada!
Além de alguéns

infantis histórias
contadas
sem querer
e pra ninguém

Aceitação

Não fique com Deus
fique com a Deusa
deusa dos minúsculos
ateus em crepúsculos

O olhar de mulher
não é como mulher
mulher que olha
desejos de glória

O sim é mantido
mas sim é proibido
porque é um escudo
que há de ser partido

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Vontade lógica

Venenos empretecidos.
Óculos escuros nas árvores.
Moitas de cigarros.
Acidentes mofados.
Brincos de pena de galinhas.
Sexos pendurados.
Sexo pendurado na cortina da venda.
Roupas despidas pela música.
Músicas despidas pela roupa.
Amores engarrafados no álcool.
Engarrafamento de pessoas no trânsito.
Transes de drogas atônitas, atônito.
Preocupações com a privacidade.
Privacidade invadida por si mesmo.
Aparente falta de parecer às aparências.
Wolksvagem.
Bienal de academias em liquidação.
Mangues, santo daimes, trovão de alquimistas.
Graças à Raul Seixas.
Queixas de putas por tantas deitas.
Política de futebol politizado pelo futebol.
Gramas de tráfico em baixo do lençol.
Casamentos impressos pela imprensa.
Candidatura punheteira à palhaçadas.
Amostra grátis em demo de democracias.
Oferecida por tiriricas da cia.
Feira de livros.
Feira de livros, carros, imóveis e crianças.
Cachorrinhos poodles enlatados no colo.
Partidos repartidos e distribuídos nos mercados.
Populismo fabricado com garantia e validade por operários.
Nostalgia publicitária desde a menor idade.
Vontades prontas, vendidas à la carte.
Delivery de estagnações e fugas virtual ou à grande distância.
Ou onde quiser.
Em contraste com a história
está a 'paz' do agora

O novo que desacredita
e cria juras desditas

Malditas traições invertidas
soam feito leões

Em jaulas sob medidas
com fianças remendadas

Revolvo

Umas mulheres não parem
elas reparam
O homem não guerrilha
dis puta
e meu cérebro está grávido
a gerar não sei o quê

Inglória

O troféu da luta
não é melzinho de puta
nem disputa de pares
dos amantes vulgares

Vem da força das pazes
para além da competição
é a liberdade da ação
viva a revolu-mudança

Libertação não é vitória
já foi glória agora é não
romper tiranias toscas
em adesão à memória

Açougue de carnaval

Tem de tudo nessa joça
vem que tem até rainha
Tem lambada, tem maloca
vem cair na fogueirinha

Pra quem vem na nossa
ganha brinde de primeira
faça o que o povo gosta
e saia bem na mamadeira

Olha o pedaço de mulher
leva na hora, carne fresca
temperada do que quiser
meia dúzia se faz de besta

Faz que vem plantar fruta
e cuidar do jardim com amor
é vegetário em açougue de puta
mas falta terra e sobra valor

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Antropoesia

O homem correu
o homem passou
deixou cair palavras
que o pensamento pegou

O homem encantou
ao rimar filosofia
com povo na música
sabedoria popular

O homem aprendeu rimar
com o povo que se repete
na roda da andança do novo
e o batuque que repete a teimar

O que que repete ao passar
sobre a história dessa dança
o rancor venceu a guerra
na corrida social pela terra

O homem se empoetizou
na arte de criar glórias
eternizou seu fôlego
no vencer das próprias vitórias

Cena

Vai ser gauche na vida
que eu vou é ser gaucho!
Cheio de gagues cheias
mas sem luxo

Cheio de cucas
comidas e pó
bocas malucas
a descrever bocas

Brother de quarto
de terra e de bar
até em Minas
com a Júlia a contar:

"Mande aí a óca",
mandiocas, aí Pim!
E me cá cheira
Titchong na beira

Mexericas mexendo
na cabeça e nas brisas
gosto de fome em segredo
e de massagem nos dedos

TORRADOS

RATOS DA TORRE
TÃO RATOS
SÓS
QUE DE TÃO TORRADOS
SÃO PRINCESAS
NO SÓTÃO
RATOS TÃO RATOS

O homem que gozava palavras

Nas palavras, ele gozava nas palavras
por trás depois e pela frente antes com as palavras
palavras gozadas como eu te amo
ele gostava de palavrear gozos

Aquilo pra ele era um jogo
"eu gozo e você diz que me ama
você diz que me ama e eu gozo"
e só a cama sob os loucos

Era um dizer de gemidos roucos
afoitos no prazer das tremedeiras
e dos líquidos entusiasta de besteiras
asneiras orgásticas pra poucos

Como o amor, flor dos nus
azuis e cintilantes mares
incendiando os dois olhares
entre o amoroso e o meu gozo
ou
Entre o goso e o meu amorozo
num elo de instantes trocados
lambuzados de penetrantes beijos
ensopados de tantos desejos

Quase me pedindo em casamento depois
glamurosa de muita estima
levitei lambendo o amor
elevada de realização legítima

Mas não se iluda, por favor
que sexo lindo não ganha vítimas
mas sim leva os corações à dor
de uma relação lavada e límpida

Poesia do não

Também não quero poesias
não quero armas nem vadias
também não quero rimas
alegrias ou ironias
vazias

Também não quero o tédio da melodia
as repetições dos dias
não quero amor nem mais valias
não quero a náusea, o enjôo, a anemia

E nego tudo, só por poesia
por querer te esquecer
com as fontes que crio
também não quero

Também não quero o também
nem o mais, porém
nem a gramática minada
ou a filosofia cansada

Não quero a música
os jogos, as palavras e os beijos
o sexo, a vida ou os Cleitons
não quero o não nem o quero

O vão, o tédio, o tão
e mais todos os sufixos
prefixos, asteriscos
o que contenha grito

Não o não
Nem o nem
no você
você

Tapa
















as mulheres não se amam
elas se chamas
faíscam olhares pra fora
chamam ser espelhos

Bruxas fêmeas
nojentas sem medo
preferem a esmola
do belo brinquedo

Ao instante e agora
verdadeira hora
dos desejos, vacilos,
das auroras

As mulheres matam
pois vão muito cedo
desde que menstruam
misturam a inveja

Veja mais interior, pois
se ficarem nos infectos
não se afirma, mulher
somos mais que pó de arroz

Sejamos o que se quiser
vaidade é ciúmes só pra dois
não pra já louvada mulher
que gava o seu sexo
mas não o partilha depois

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Homenagem à personagem da irmã mais nova de "Bicho Homem" de Lia Vasconcellos

E a alma é diluída no rio
é a mancha do tempero
seco e ardido desejo
de lambuzar o desespero

De violentar o arrepio
que sobrevive do medo
de romper o último fio
e se minar em segredo

Ode do brinquedo
que ultrapassou o amor
pra se esconder no momento
de fluir pelo sangrento
respeitar as horas
de acordo como o sol brilha
de acordo como vem
dê a cor
do tempo

conforme ele tem
forme momentos
e decore ventos

mude a cor do tempo
e ele cora

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A mulher do silêncio

A música é o banco da dor
a defesa para o não
outro consolo além do amor
o nada da matéria
é a fartura da miséria
o incalculável da paixão
a natureza da quimera
o exato orando em devoção

É luz passeando em noite de calor
em si mesma e satisfeita
é o sono do louvor que se deita
sereno encanto sonhado pelo amor

Todas as notas juntas
de braços dados pela luta
articuladas na revolu-son
disparam paz aos ouvidos
elevam peitos não pelo grito
alma da palavra,corpo do grito
é repetição ainda aceita
é novidade sem suspeita

É barulho que se deixa
É barulho que se deixa
Que se deixa em silêncio
O silêncio dessa deixa