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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Droga de papel

quando o nada vem e não se tem
nenhuma ânsia
de loucuras

quando sem ninguém
que busca horas
de tortura

Tiros perdidos matam
baladas perdidas
encontradas
entre corações mirados
em carreiras
enlatadas

Enfim te achei
num lixo podre retirado
Tirei a sorte grande
atrás de você
louco apaixonado

Quando tudo é cem
e o sim se tem
com uma náusea
por luxúria

quando com alguém
que perde horas
por frescura

Balas paridas
traçam palavras
partidas entortadas
entre ilusões perdidas
em pinos
e empilhadas

Enfim te deixei
num tinto papel caprichado
Tive menos azar
fugi de você
vício endividado

De vista

Quem pode prever o que vem antes?
Antes do agora e de nós dois?
Quem consegue ver o que é durante?
Entre o incansável e o depois?

Alguém me dê a mão
porque palavras soltam vozes
mas não prende uma ilusão
como é querer um coração

Vem lá nem que seja de Deus
traz essa paz de amor
e me lança pros olhos teus
e alcança o que já é teu

Aparece por favor
até o socorro se encantou
por você, lago de amor
por você, emoção que chegou

Hora esta que não me passa
mas nos basta e a todos
com esse jeito todo fofo
de ajeitar todos os todos

Pronomes pra ti são poucos
tempo, grau, quantia e outros
naõ sei mais o que fazer
sei só um pré nome de você

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A uma só voz


Só a voz encanta
só a voz assanha
só a voz é santa
só a voz, tamanha!

É só a voz que é linda
é só a voz, ouvida
é só a voz, querida
é só a voz senhora

Porque a voz manda
porque a voz preenche
a voz não se iguala
a voz carrega a mente




Vós, simplesmente
Vós que se cala
e a paixão levanta
voz ilude e abala

Na voz que eu vi
na voz vibrava
na voz eu cri
não precisava

Visei sua vez
vós se embalava
na voz suando
pra se sair suave

Da voz fiz teu mundo
de voz necessária
devota conspiração
de votos à notária

a voz amei
a vos suspiros
à voz delírios
à voz, falei
a voz flertei
a voz abracei
a voz conjuguei
à vos comigo

Avesso que digo
à vossa nossa
voz-umbigo

Só com a voz transei
porque a voz procurada
era a voz que não era nada
mas era a voz que foi dada

Na voz reluzente
de graves vozes graves
gravada nos dentes
a voz foi cravada

Não a mente
nem os feitos
ou doentes acertos
ou poderes eleitos

Só de voz é o sujeito
só de vos é a voz
só de voz
pobre de palavra
barulho e saliva
garganta

Mas que pobre de palavra
é só barulho que saliva
e no máximo cala

Língua da conquista
do puro sexo à larva
a mísera voz se levanta
mas não ilude o nada
na voz soam travas


quarta-feira, 30 de junho de 2010

Crendices

Só ditos disse
credo ao índice
que não queixo

Um pintor

          Ele
     homem é
e borda a mulher

Doisconhecidos de conhecidos

Dois voadores discos
tocam conversas musicais
para os olhares dançarem
ao par de rostos semi-animais

Versos borboletas
e pernas borbulhantes
o que era aquele instante
com asas de estrela?

Que perdidos explodidos brilhos
errantes numa fogueira
primavera de sujeiras
delícia doce, pai e filho

Um bocado de gemido
gritante de medo e frio
de ouvido como túnel
escorrida de vento X arrepio

Lambido estribilho
loucadêmicos desmentidos
pára-fusados-soltos
avoados em forma de doutos

Outros presentes livres
muita minerva teórica
e muita energia ao agora
desfaziam-se em deslizes

Enredo pra poucos
foi o merecido
sem maiores pousos
onde foram ruídos


À primeira "houvida"

É amor assim
de primeira
vista pois

não foi outrora
d'antes
ouvido algo

Agora houve
e não mais vejo
tempo depois
lembreijos

Tempo é só depois
após o visto
busca-se a voz
ama-se um juízo

Lembrimagem
e desejo no som
da voz-miragem
casal explosion

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Em cantos

Um trocado
agora mendigo
que pede a hora
                          da troca
                          e corta
ares
da toca pelos bocados
de cada boca
boca boca boca
oca
acudida com toques
teclados

Parâmetro

Quem disse que eu podia
eu podia te escrever
e desenhar pessoas frias
reclamando ingratidões

Não, eu não poderia
repetir no prazer
de te fazer poesias
fazer poesia de você

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Temporada

Num dia antes
a ida ao antes
noutro a hora
a chegada durante

Depois agora
a volta pela demora
constituída
de coincidências

E o instante não trouxe
nada momentâneo
ou de errôneo
e partiu você

De onde não esteve
fechou-se no abril
espaço muito breve
pra quem nem fugiu

Infarto

Coração aritmado
bate bate no tempo
travado
na porta, pára
para fechado

Coração lento
dança no som
vai sem rebento
até algum tom

Coração estreito
pontual ao vento
atrasa o trajeto
teimando ir reto

Coração ninguém
de tanto que não tem
quer-se um ser só
que só é do peito

Coração atento
pelo ar obcecado
delira até o nó
continuar apertado

Cora sons
emudecido desmaia
deita no caos
espasma no gozo
e esvai

sábado, 10 de abril de 2010

Infer Herói

É preciso poder para ser super
É preciso poder para poder
Só isso já serve para o ser vir apoder
isso é o bastante para se possuir

Deplorável sufoco
desuficiência sofrer
desuperação se fazer

ter de ser senhor para ser
conjugar os verbos sem vida
e julgar com versos o ter



















(foto da pintura de Rick Rivet)

Justiça

                       Justo você

                 Meras  medidas  me
                 balançam
                 os pesos
                 são

                 Meras medidas
                 que     me balançam
                          tenho
                 mas              equilíbrio
                           em
                          você

             um tem           outro restaura
         hormônio            neurônio
que envergonha           como patrimônio

                          Mas
                          aqui
                        é justo
                         você, balança
                                              
                                                     Viva
 à justiça!                 

Esquecimento

É o nada
o vão, a ida
a coisa
passada

É invento
silêncio
momento
ação vazia

É abstrato
o branco, pó
a pausa
vôo

É o ar, o Deus
o nó
rebento
impulso

É breu, clarão
canção
tempo, é fim
e fluxo

É tudo, resto
pouco oco
iludido
destemido

É nada e muito
vento fortuito
que surge
assim



















(pintura de Mário Rita)

sábado, 20 de março de 2010

Silêncio

Digo você
silêncio
digo sim e lê-se o
Digo
em silêncio

Assim lento
brando sem falácia
encontrei o cinzento
a cintilante águia

Vento sem máxima
o repouso do ar
no transe do olho
a pausa clásica

De classe inocente
movimento do sempre
só mostra a voz
mas não a sente

Cala-me a defesa
fazendo-me gritar
pela sua natureza
mantém a presença

Só é silêncio
sono frio sem tato
eu falando sozinha
ao amor sem ato

Rio de murmurinhos
sem nenhum olfato
não encontro meios
de provar seu tédio

Sua fuga ao leito
à mudez sem remédio
teu vazio no peito
me abraça sem crédito

Aceito e te beijo
mas nunca te pego
eco que se expande
fugindo por ego

Adentra o silêncio
e sinto o prazer
de garras, polêmico
e tão grave ser

Quieto, quieto
que estou muito lúcida
com você por perto
quando quero música

Dueto

E o sopro dos hormônios
estoura as cordas
dos neurônios

Completamente amarrada
pelo triz que me toca
puxando-me ao nada

Ao ar das notas
onde ventou uma troca
entre o sopro e a solta
entre o infinito e a hora

Há cordas e bocas
curvas e setas
horizontes e amores
dimensões e as flores

Mas não duas metas
ou contra-valores
são corpos harmônicos
arranjos na orquestra

Momentos sinfônicos
instrumentos dispostos
integram os compostos
de mais som na vitrola

E aumenta a frequência
da música que na viola
intensidade alta não falta
pra acompanhar uma flauta

Tente a ativa

É só tempo que a gente tem

tem  tem  tem  tem

quem não tem põe morte

no que tem



Acabou-se o têm

agora é pó também

pegue o trem quem pode

e aposte na ponte



Ou pare o bonde

se tiver alguém

que te mantém

no poste



Tente a sorte

que o tempo vêm

e te dá um norte

até o além

Vaidade adúltera

Ela viu          o amor             dos homens

porque Hera

mulher

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ciência

a ressaca voltar da viagem e a embriaguez se apaixonar 
pela consciência e viajar até a ressaca voltar da viagem 
e a embriaguez se apaixonar pela consciência e viajar até

Música ambiente

Dê mais mente
ao que sente
Decente

Dê mais sente
ao que mente
Demente

E ao dê, sêmen.